Ciro crítica Lula e diz que vai “pra cima” do petista; aliança entre PT e PDT no Ceará fica fragilizada pra 2022

O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, do PDT, carrega nos ataques contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, líder da corrida eleitoral de 2022, segundo o Datafolha. “Eu vou pra cima dele, é o maior corruptor da história brasileira”, disse, durante a entrevista que teve com o Valor divulgado hoje, segunda-feira, 17.

Na conversa, Ciro faz duros ataques a Lula. “Vamos derrotar Bolsonaro e vou propor mudança. Lula é parte central da corrupção. Lula é o maior corruptor da história moderna brasileira. E não aprendeu nada. Fica na lambança, prometendo a volta de um passado idílico que é mentira”. O presidenciável do PDT afirmou que, com o derretimento da popularidade do presidente Jair Bolsonaro, aumentam as chances do segundo turno das eleições de 2022 ser disputado por ele contra Lula.

“Acho que a probabilidade de se dar o segundo turno entre eu e o Lula está crescendo. Acho que Moro e Huck não são candidatos. Nem Doria. Se ele for, será fragilizado porque está muito mal em São Paulo e nunca teve entrada no Brasil. O único organizado, com o partido harmônico, sem confusão, sou eu. O que se vê com a ciência que é possível nessa área? Hoje, a tendência consistente é que Lula está em seu [patamar] máximo e Bolsonaro, em processo de derretimento”, disse em entrevista ao Valor.

Para Ciro, Bolsonaro está desesperado e “começa a tentar relembrar ao povo as razões que deram vitória a ele”. “Vão recuperar toda notícia da roubalheira, da inadimplência do povo produzida pelo lulopetismo. E aí, esse momento de grande euforia com Lula vai começar a colocá-lo na defensiva e predispor o País a procurar uma terceira via”. Esse assunto de ‘terceira via’ é um dos mais misteriosos e nublados para o país. Diversos partidos buscam serem a tal terceira via, como relatamos nessa matéria. A fala de hoje de Ciro, somada a outras, anteriores, também do presidenciável, mostram que o Ferreira Gomes não quer nenhum tipo de aliança com o Partido dos Trabalhadores para 2022; Ciro deverá manter postura de não apoiar nenhum quadro do PT no ano que vem, como fez em 2020, mesmo em cidades onde seu partido tinha aliança com a sigla de Lula.

ALIANÇA FICA TURVA NO CEARÁ

Com seu principal quadro político e provável representante na disputa pelo Palácio do Planalto atacando seu freios a maior sigla aliada no Ceará, o PDT se vê em um momento singular no estado. Mantendo a tênue linha está o governo de Camilo Santana, do PT, e parlamentares de ambos os partidos. O PT não desferiu ataques direto a sigla histórica de Brizola, nem negou que poderá se aliar ou apoiar pedetistas na disputa por governos estaduais, contudo as falas de Ciro começam a fechar portas e rachar uma base sólida.

Em meio a isso, o ex-presidente Lula, em sua viagem a Brasília, no final de abril, se encontrou com diversos caciques políticos, entre eles, Eunício Oliveira, maior figura do MDB no Ceará, que já foi ministro de Lula e concorreu ao governo contra Camilo em 2014. A conversa, que durou mais de 2h, teve como chave a sucessão governamental no estado. Muitos apostam que o PT terá coligação com o MDB no estado, além do PCdoB e do PSB, a depender de como a sigla socialista se alinhará para a eleição majoritária.

Até segunda ordem, ambos os partidos estão com guarda levantada no estado, contudo, mantendo com pulso firme o governo de Camilo, considerado um dos grandes quadros da política cearense, reeleito em 2018 com cerca de 80% dos votos. O consenso pré-existente seria a de uma candidatura pedetista para suceder Camilo, que sairia para o Senado Federal. Nomes como o da vice-governadora Izolda Cela e do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, soam alto nos bastidores. Resta saber se esse pensamento vai de encontro ao explosivo combate entre Lula e Ciro.

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