Prefeito de Quixadá cede a pressão e lockdown será revogado, mesmo com número de casos e óbitos recorde na cidade

Após duras críticas a maneira como conduzia o lockdown em Quixadá, o prefeito da cidade, Ricardo Silveira, anunciou, ainda na terça-feira, 4, que o comitê de enfrentamento à Covid no município fará uma “flexibilização gradual” do decreto para a retomada da economia. O decreto, que teria vigência até domingo, dia 9, será sustado na sexta-feira, 7, antes do feriado do dia das mães.

Nesta semana, a Câmara de Dirigentes e Lojistas, CDL, da cidade emitiu uma carta pública onde teceu inúmeras falas contra o decreto de isolamento social rígido assinado pelo prefeito, que seria ‘seletivo’, já que a intenção inicial -isolar as pessoas para não propagar o vírus- não foi respeitada, vide as diversas filas e aglomerações ocorridas durante a vigência dos decretos, principalmente em agências bancárias; além do mais, se via todos os dias a intensa movimentação no centro da cidade, que não foi devidamente isolado. A fiscalização também foi falha nesse sentido, bem como a educação e conscientização pública que o momento exige; não houve campanha massiva pelo distanciamento ou distribuição de máscaras, como ocorreu ano passado -poucas foram entregues a alguns populares em filas para fazer fotos para as redes da prefeitura. A postura dos lojistas, vendo a situação do município, foi a de questionar a autoridade: se eles deviam fechar suas portas, nada mais justo que ao menos o prefeito cumprisse com o que pediu por meio daquilo que estava ao seu alcance; não foi isso que foi visto.

Segundo a fala do gestor, a onda em Quixadá já teria passado, e a cidade estaria entrando em estabilidade. Os números, porém, dizem outra coisa. De acordo com dados do portal IntegraSUS, da Secretaria de Saúde do estado, Quixadá o maior número de casos confirmados do Sertão Central: mais de 7.000. O número de óbitos no município disparou nas ultimas semanas, chegando a devastadores 134; ontem, quarta-feira, 5, de acordo com a secretaria de saúde local, a terra dos monólitos tinha 125 óbitos acumulados. Em menos de um mês, a cidade teve mais de 30 óbitos confirmados e é a 3ª na região, atrás de Canindé e Quixeramobim, porém, viu seus mortos aumentarem enquanto as demais cidades já entravam em situações estáveis. Ainda segundo boletim local, a cidade concentra hoje, quinta-feira, 6, mais de 784 casos ativos, com outros 31 suspeitos, o que pode representar mais de 800 casos no município; 39 deles estão internados e outros 745 em isolamento domiciliar.

Afinal, se o comitê e o prefeito veem uma melhora no quadro da cidade, mas os dados nunca foram tão altos, quem está mentindo nessa equação?

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