Situação crítica para alunos no Sertão Central: organização propõe saída viável, mas só Banabuiú resolve aderir. Acompanhe o caso

A CUFA, Central Única das Favelas, organização de cunho social fundada em 1999, atua em diversas frentes na sociedade brasileira, sempre tentando atender o máximo de pessoas das mais variadas formas. O trabalho de seus dirigentes é árduo, mas nasceu da garra de jovens de várias favelas, principalmente negros, que buscavam espaços para se expressarem. Desde a fundação, a organização se espalhou por todo o país e ganhou ainda mais notoriedade com as ações organizadas durante a pandemia do novo Coronavírus. Dentre elas, no sertão cearense, está a entrega de cestas básicas à famílias que estão passando por inúmeras dificuldades nesse momento. Uma outra ação, porém, chamou atenção pela necessidade em comparação ao desdém com que a ideia foi recebida por gestores de diversos municípios do Sertão Central.

Alinhada a situação dos alunos das redes públicas municipais, que estão em modalidade de ensino remoto e, de forma esmagadora, não tem acesso a esse próprio tipo de ensino por uma série de questões -como a falta de conexão de internet, falta de estrutura ou de formas de se conectas- a CUFA pensou em uma solução que está sendo utilizada em outros estados, como o Maranhão, e também pela rede estadual cearense: a entrega de chips de operadora móvel com direito a conexão de internet, como forma de atenuar a discrepância no ensino remoto, que atende hoje cerca de 1/4 da clientela que o ensino presencial atende. Para isso, a organização buscou parcerias, tanto com municípios, quanto com operadoras. O ‘Alô social’ conta com o apoio da operadora de telecomunicações TIM. Em forma de parceria, a CUFA ofereceu aos municípios a entrega dos chips a alunos da rede pública inscritos em programas sociais, com contrapartida da organização de R$50,00 por chip, cabendo aos municípios o valor de R$70,00. Como os chips funcionam?

  • O valor individual dos chips é de R$120,00, com parcela única valendo por 6 meses -é como se o valor mensal do pacote oferecido pelo cartão da operadora custasse R$20,00, bem abaixo dos valores convencionais de planos pós-pago;
  • A CUFA entra com cerca de 41% do valor do chip e o município complementa o restante;
  • O pacote oferecido contempla internet sem cortes de dados durante 6 meses, bem como 55 minutos de ligação oferecidos mensalmente, em caso da necessidade do aluno conversar com professores.

No Sertão Central, dirigentes da CUFA procuraram as prefeituras e gestores de Quixadá, Choró, Quixeramobim, Milhã, Pedra Branca, Senador Pompeu e Banabuiú oferecendo a parceria, dada a situação crítica dos alunos da rede pública que não conseguem acesso às aulas e atividades. Desses, apenas Banabuiú teve a sensibilidade de ponderar a proposta e discutir mais a fundo com a organização. O restante dos municípios não se interessou. Em todas as cidades destacadas, como na maior parte do país, não houve preparo para ensino remoto e nem alunos, nem professores estavam prontos para a modalidade. Há um “levar com a barriga” que só prejudica alunos, docentes e pais que, muitas vezes, tem de se deslocar até as escolas buscando atividades que, em muitos casos, foram impressas por conta do próprio professor. A omissão do poder público fica evidente. Em Quixadá mesmo, os mesmos dirigentes da organização, que também fizeram entrega de cestas básicas, relatam a falta de entrega dos kits de merenda, ou seja, faltando pouco mais de dois meses para o recesso do meio do ano, os alunos da rede pública quixadaense ainda não recebera, nenhum kit esse ano. Já havíamos denunciado a situação da gestão de Ricardo Silveira aqui. A situação é grave e, mesmo quem tenta ajudar oferecendo saídas possíveis, é renegado por gestores. Ponto negativo para as cidades e uma lástima para os alunos, prejudicados por decisões de quem os devia colocar acima de qualquer coisa -seus gestores eleitos para isso.

Veja imagens dos projetos da CUFA e como ajudar:

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