Sertão Central e Vale do Jaguaribe/Litoral Leste apresentam as maiores taxas de transmissão da Covid-19 no Ceará e faltam leitos de internação

Entre novembro de 2020 e março desse ano, o Ceará acompanhou a escalada impressionante nos números da Covid. O pico da 2ª onda chagou ao estado em março e colapsou o sistema de saúde público e particular. O Lockdown foi a alternativa encontrada pelo governo estadual para frear a crescente da doença, e ele funcionou. O Ceará está sendo um dos primeiros estados do país a estabilizar seus dados, dentre eles o de transmissão/contágio. Esse dado é importante pois destaca exatamente a possibilidade de expansão da infecção viral. Segundo epidemiologistas, a situação tende a se estabilizar quando o dado de transmissão fica abaixo de 1,0. Isso significa que um grupo de 100 infectados pode passar o vírus para menos de 100 outras pessoas -quanto maior o número, maior o risco de infectar mais gente saudável. Atualmente no estado, a capital, Fortaleza, e as regiões do Cariri e Sobral estão com taxa de contágio abaixo de 1. Fortaleza e Cariri têm os menores índices, ambos com 0,95. Ou seja, 100 infectados podem transmitir o vírus para outras 95 pessoas. Sobral apresenta índice de 0,97.

Ao contrário das regiões citadas acima, o Sertão Central e o Litoral Leste/Vale do Jaguaribe despertam o alerta das autoridades. As regiões em questão apresentam, respectivamente, Sertão Central (1,07) e Litoral Leste/Jaguaribe (1,11). São as únicas do estado com nível acima de 1. Os números foram apresentados pelo Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus à Secretaria da Saúde, Sesa, do Estado. O Comitê é composto por quatro cientistas-chefes, sendo 3 professores da UFC e um da Universidade de Fortaleza, Unifor.

O cientista-chefe do Comitê e professor do departamento de Física da Universidade Federal do Ceará, UFC, José Soares de Andrade Júnior, explica que a modelagem epidemiológica sugere uma tendência de queda em todo o Estado. Segundo o especialista, Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe estão muito próximos da taxa que sinaliza a estabilização de contágio. “Ainda vamos analisar os números ao longo desta semana, mas a projeção é de manutenção nessa tendência de queda em todo o Ceará”, destacou José Soares. Mesmo com essa projeção de queda, o cientista ressalta que o cenário ainda está próximo da criticidade. O estudo mostra que apesar de existir uma estabilidade no contágio, “essa estabilidade ainda está montada em um número muito alto de casos”. Diante deste número ainda elevado, Soares externa preocupação com a sobrecarga do sistema de saúde. Apesar do incremento de leitos de UTI e enfermaria, que já somam mais de 5 mil em todo o Estado, a demanda assistencial segue elevada. O cientista reforça ainda que, como agravante a estes números, esta a nova cepa. “As características da variante do vírus desta segunda onda são diferentes. Os pacientes evoluem muito rapidamente e os óbitos não estão mais massificados aos idosos, como era na primeira onda”, comenta Soares.

PREOCUPAÇÃO COM LEITOS

De acordo com o IntegraSus, plataforma oficial da Secretaria da Saúde (Sesa) do Ceará, a taxa de ocupação dos leitos de UTI do Estado atualmente é de 95,65% e, de enfermaria, 80,02%. Os números da UTI Adulto são ainda mais expressivos. A taxa geral está em 97,61%. Os números são alarmantes.

Nas duas regiões em que a taxa de contágio está acima de 1, a ocupação dos leitos é total. O Sertão Central tem 100% dos leitos de UTI ocupados. No Litoral Leste/Jaguaribe, não há leitos de UTI e a taxa de ocupação da enfermaria está em 62,5%.

 

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