Ceará: dificuldade contra o Oeste na Copa do Brasil é fruto do desinteresse pelo gol; Prass salvou

Time cearense conseguiu avançar para a 3ª fase da competição e garantiu mais R$ 3,48 milhões na competição

Antes da bola rolar: chuva, apagão e até corte na delegação por febre. O roteiro de dificuldades para o Ceará começou cedo e se estendeu em campo. Ontem, o Vovô tinha a possibilidade de conseguir um resultado mais tranquilo pela Copa do Brasil, não o fez, o placar veio com sofrimento na Arena Barueri, em São Paulo: 4 a 2 nos pênaltis contra o Oeste após 1 a 1 no tempo normal. Sim, no sufoco, avançou para a 3ª fase do torneio.

Aos cofres, a importância se resumiu ao R$ 1,5 milhão arrecadado – o valor total conquistado apenas no torneio já é de R$ 3,48 mi. Ao elenco, a apresentação foi quase uma resposta pessoal. Primeiro com Leandro Carvalho, que atuou como a muito não se via , ajudou na marcação e foi coroado com um gol logo aos 7 da etapa inicial. Depois com Fernando Prass, em partes criticado e que conseguiu uma defesa de pênalti no tempo normal e outra nas penalidades, para se tornar o herói.

Só que em campo, a possibilidade de imposição era evidente. Tinha uma resistência pelo gramado encharcado, mas o 4-2-3-1, única formação de Enderson, fez o time alvinegro dominar as ações e ditar o ritmo no começo.Tudo perfeito com exceção do próprio efetivo, ou melhor, o coletivo. Havia movimentação, o desinteresse era no gol, justamente o objetivo do duelo. A posse não se revertia em perigo, quase uma extensão do temor pelo placar. 

Foi a baixa intensidade que o puniu no mata-mata. Quando o Oeste teve chance de jogar por míseros cinco minutos, alcançou a igualdade. Já aos 44, com De Paulo aproveitando falha de Luiz Otávio, que foi desarmado sozinho.

O zagueiro é inquestionável, algo que não se discute, só que a confiança o atrapalhou ao dominar errado na frente da grande área. A fissura foi reflexo da displicência, do ser grande e não exercer tal superioridade frente aos mais modestos do futebol.

INÉRCIA PERIGOSA

Oeste x Ceará
Rafael Sóbis participou muito do jogo fora da área, mas produziu poucas chances de perigoFoto: Israel Simonton / Ceará

Sem funcionar no ataque, o Ceará ofereceu espaço ao Oeste e ficou acuado. O vice-lanterna do Campeonato Paulista teve a ousadia de adiantar as linhas de marcação, enquanto o Vovô assistia tranquilo, distante de se incomodar.

Ao deixá-lo com a bola, o representante cearense assumiu o risco e foi castigado durante todo o 2º tempo. O adendo é que o volume foi construído nas falhas individuais, com Luiz Otávio como protagonista negativo. Foi assim que a equipe ficou com um a menos aos 24, quando Klaus recebeu cartão vermelho em falta fora da área – que a arbitragem marcou dentro. Naquela ocasião, o goleiro Fernando Prass impediu o pior ao defender a cobrança de Bruno Paraíba. No fim, a escolha pelo sofrimento é um carma antigo em Porangabuçu. Faz parte da história quando não deveria, se constrói nos tropeços do próprio clube e exige do torcedor compreensão desmedida.

O Ceará precisou ficar com 10 atletas em campo para exercer finalmente a intensidade, a obrigação desde o início. Sem tempo, dependeu dos pênaltis para avançar e conseguiu, nas mãos de Prass. Na marca do cal, Bergson, Samuel Xavier, Brock e Baxola fizeram o 100% alvinegro. Alyson teve o chute defendido, e Mantuan, no travessão, deixou o Vovô com a vaga.ALEXANDRE MOTATorcida do Ceará mostra força com 20 mil sócios em duas semanas; próximo passo é clube de vantagens

FICHA TÉCNICA

Oeste (2) 1×1 (4) Ceará

Competição: Copa do Nordeste
Data: 19 de fevereiro
Local: Arena Barueri, em São Paulo
Cartões amarelos: De Paula e Lídio (O); Klaus e William Oliveira (C)
Cartão vermelho: Klaus (C)
Gols: 07’1T – Leandro Carvalho (0-1) e 44’2T – De Paula (1-1)

Oeste: Felipe Lacerda; Lídio, Renan Fonseca, Eder Sciola e Alyson; Wallace Bonilha, Mantuan, Matheus Oliveira (Mazinho) e Marlon; De Paula e Bruno Paraíba (Matheus Matias). T: Renan Freitas

Ceará: Fernando Prass; Samuel Xavier, Klaus, Luiz Otávio e Bruno Pacheco; William Oliveira, Charles e Vinícius (Brock); Rafael Sóbis (Bergson), Rogério (Felipe Baxola) e Leandro Carvalho. T: Enderson Moreira.

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